O Autismo que vem aos poucos

mateus-e-eu-babysJá que é sexta-feira e a semana foi de estreia do blog (e posts todos os dias!), resolvi pegar leve hoje. Bom, talvez não tão leve… Mas, pelo menos, temos fotos!

Como dá para ver, eu e o Mateus temos pouquíssima diferença de idade, um ano e pouco somente. Minha mãe costuma dizer que sempre fomos “gêmeos funcionais”, tamanha era a função em casa quando éramos pequenos!

Nessas fotos, as três de cima principalmente, dá pra ver que o Mateus era bem pequeno e o autismo ainda não tinha “aparecido” claramente. Eu, na minha linguagem de criança, sempre expliquei o que era autismo aos meus colegas desta forma: “hmm, o Mateus era uma criança ‘normal’, ele brincava, falava algumas palavrinhas de bebê… E, de repente, parece que apertou um botão e ele se desligou do mundo”. Não ouvia mais quando era chamado. Tinha crises de choro. Crises de riso. Passou dois anos e meio só comendo três coisas: iogurte de morango da marca x, pastéis de frango da padaria y e fandangos de presunto. Lembro como se fosse hoje quando meus pais me ligaram e me contaram: Mateus está comendo um prato de feijão (!!!). Eu chorei no telefone e só tinha sete anos de idade.

O Autismo clássico se manifestou dessa forma no Mateus, foi se tornando visível à medida que ele foi crescendo. Por isso que foi (e ainda é) tão difícil. Quem diria que um guri lindo desses, cheio de vida, teria um transtorno desses? Que ele ‘desaprenderia’ as palavras que já sabia falar? Que ele sofreria de algo que até hoje a medicina não consegue explicar a causa, nem encontrar a cura? Por isso que o autismo é um diagnóstico que dói. Aquele filho/irmão/neto/sobrinho/afilhado não está mais lá. Ou está, mas escondido atrás de uma condição que é nova para todos.

Temos que aprender a lidar. Temos que estudar. Temos que conviver. Por isso que o autismo, (e isso acontece com várias outras deficiências), não nos torna apenas irmãos/pais/avós/tios, mas irmãos/pais/avós/tios ‘azuis’, engajados com essa causa que ainda precisa de muito esclarecimento, conscientização, respeito e inclusão.

Seguimos na luta. ♥

25 comentários em “O Autismo que vem aos poucos

  1. Estou encantada com teu blog!!! E com tamanha sensibilidade em suas palavras!! Você É uma irmã de Ouro!!! O Matheus é lindo e com certeza muito feliz por ter vcs ao lado dele. Obrigada por nos presentear com esses posts que ilumina nosso coração! Bjs

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  2. Que lindo, Fe! Tuas emoções transcritas nos teus textos têm mexido comigo. Obrigada por estar nos proporcionando conhecer um pouquinho de como é essa outra realidade que se mostra tão distante, e que aos poucos, já vai se tornando tão íntima. Beijos!

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  3. Parabéns por esta atitude de transmitir às pessoas o seu sentimento de como é ser irmã de seu irmão TEA. É enriquecedor,pois,creio que todos os irmãos sai afetados de alguma forma por essa questão que para mim é uma ESTRUTURA. Sou mãe de um jovem de 21 anos, dentro do quadro TEA,e,realmente,sei que o Autismo nos dá a certeza de que somos muito capazes de amarmos uns aos outros intensamente. Nesse Espectro, essa é nossa maior descoberta! Novamente parabéns,siga em frente com esta maravilhosa atitude,bjs no seu core,no do Matheus e de toda sua família.Deus presente Tânia®

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