Coisas que aprendi com o Mateus

Mateus me ensinou que cada coisa tem o seu lugar. A toalha, o chinelo, o iPad. Todos devidamente colocados. Que as gavetas e portas têm que estar fechadas. Que existem determinadas ações para determinados lugares (afinal, não se escuta tango no som do quarto, ou se vê desenho animado na tevê da sala, né?).

Mateus me ensinou que tudo tem um porquê, fez eu entender que existem lógicas e contextos que envolvem as pessoas e que explicam muito de seus atos e sentimentos. Ele me ajudou a enxergar isto em mim (porque será que eu gosto de tudo minimamente planejado?)  e em outras pessoas também. Ou seja, Mateus me ajudou a ampliar minha paciência, minha compreensão, a não ter preconceitos baseando-me no que vejo em uma primeira impressão. Se eu sou perfeita? Não. Mateus me fez uma super pessoa? Não também. Mas, com certeza, eu melhorei muito por causa dele.

Vivemos em uma sociedade utilitarista. Você vale o que você faz. Será? Indo contra essa lógica, participei uma vez de uma palestra que o título era Deficiência: Escola de Virtudes. Nela, Ben Wood questiona esta visão e aponta que as pessoas que mais sofrem com o discurso do utilitarismo são aquelas com deficiências graves. “Afinal, porque devemos manter quem não produz?”, perguntam eles. Entre várias outras coisas, Ben defende que as pessoas com deficiência nos trazem valores como empatia, solidariedade, fraternidade, igualdade, diversidade… Fazem-nos mais sensíveis, mais humanos, mais abertos. Quebram a lógica de que somente quem produz grandes coisas tem valor. Familiares e profissionais que lidam com autistas sabem que qualquer conquista, por menor que seja, torna-se motivo de grande comemoração. Aliás, acho que para nós, não existem as categorias pequenas ou grandes: todas são vitórias.

É… Tudo isso, o Mateus me ensinou.

5 comentários em “Coisas que aprendi com o Mateus

  1. Eu também tenho um Autista adulto em casa que me ensinou a colocar tudo em ordem e a exercitar toda a minha paciência e compreensão que eu não tinha. Me fez ser uma pessoa melhor, mais humilde e sensível. Eu amo meu filho FÁBIO! Tem 30 anos o meu bebê.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s