Um problema de saúde pública

Durante a faculdade, estudei um pouco sobre o movimento em prol dos direitos das pessoas com deficiência de maneira geral e mais especificamente no Brasil. Existe uma situação que acredito ser quase como uma regra: são movimentos liderados, basicamente, pelas próprias pessoas com deficiência e/ou por seus familiares. Diferente de situações como os direitos das crianças ou das mulheres, que já estão consagrados e difundidos (apesar de ainda precisarem de defesa em vários casos), os direitos das pessoas com deficiência ainda não estão implementados com a autonomia que lhes é devida. Infelizmente sempre digo algo que, para mim, é a mais pura realidade: se nós não fizermos algo, não há quem faça. Não há quem lute a nossa luta ou defenda nossa causa. Tristemente, é a realidade que vivemos.

E quando a deficiência não é declaradamente visível? Ou quando ela só foi reconhecida legalmente pelo Estado a menos de quatro anos? É a nossa situação em relação ao Autismo no Brasil. Carecemos de tudo: desde o diagnóstico precoce à moradia assistida, passando por todo o tipo de demanda que abarcam temas como saúde, educação, trabalho, assistência e previdência social. O que temos atualmente no Brasil é fruto do trabalho de “formiguinha” de milhares de famílias que, pouco a pouco, depararam-se com as próprias necessidades, arregaçaram as mangas e foram à luta. Atitude louvável e necessária, frente à tudo que temos que enfrentar em nosso dia-a-dia.

O autismo é um problema de saúde pública invisível. Digo isto com convicção, pois nem dados epidemiológicos nós temos para “comprovar” nossa existência e mostrar quantos nós somos. Os autistas adultos de grau severo então… Completamente invisíveis para o Estado e para as instituições de maneira geral. Faltam escolas que os aceitem após determinada idade, faltam centros-dia para oferecem atividades e oficinas, faltam centros especializados em autismo. É um problema invisível que está dentro das casas, onde quem não vê, muitas vezes, nem sabe que ele existe. (Obviamente não estou dizendo que a pessoa com autismo é o problema, mas a nossa situação como grupo social é que está com problemas!). Não é como a pobreza ou a violência, questões com as quais nos deparamos cotidianamente, mesmo sem querer vê-las. Elas estão ali. E incomodam. Fazem-nos pensar e questionar se esta é a realidade que queremos viver. Já o autismo… Precisa de porta-vozes. Pessoas que digam: “ei, estamos aqui e precisamos de ajuda!”.

Você pode ser essa voz para o autismo? Nós precisamos de ajuda.  #SejaUmaVozparaoAutismo 

3 comentários em “Um problema de saúde pública

  1. É exatamente isso que vc falou….estamos no esquecimento a tempos….. Mais já tivemos no anonimato…. Agora que se ouve falar em autismo…. Não sabemos nem se quer a causa… E como realmente tratar nós país não sabemos nem mesmo pra onde ir qual direção..as vezes o que dá certo pra alguns já não dá para outros…. Estamos sem posicionamento tanto da própria síndrome com tratar.. Como das políticas em relação aos autistas e da própria medicina… Que não se investe mais pra saber definitivamente o que causa esse transtorno… Meu filho hoje com 20 anos…..já passou por homeopatia……vários tratamentos… Mais sinto que seu quadro só agrava… Porque? Ele não consegue ficar sequer sentado….muito difícil… Ele é verbal. Sinto algo muito maior o incomoda… Mais não sei o que é… Atribuo a dores….. Outros falam que é intoxicação de medicamentos…. Bem eu não sei…ele sempre foi inquieto desde quando nasceu…tenho muita raiva de todo esse descaso com todas essas pessoas autistas que não tem nem atendimento especializado……..

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