As (inacreditáveis) histórias de Autismo

O Autismo é, em muitos aspectos, um mistério. Começando pelo começo: não se sabe a causa. Os cientistas ainda não descobriram o que de fato determina o surgimento do transtorno. Atualmente a teoria mais aceita é de que seriam fatores genéticos ligados à questões ambientais. Entretanto, não se sabe quais genes estariam envolvidos, nem que alterações ambientais são essas. Ou seja, há um longo caminho de pesquisas pela frente! E nós, familiares, estamos na torcida por todas estas descobertas que estão por vir. Amém!

Porém, muitas teorias já passaram por nós… Tão polêmicas e controversas, mas que ainda persistem no imaginário de alguns. A mais famosa, com certeza, é a da “mãe geladeira”. Ou seja, o filho desenvolveria autismo porque a mãe não era afetuosa, sendo “fria” com o filho, gerando um distanciamento dele em relação à mãe e, consequentemente, em relação ao mundo. Nem preciso dizer que esta tese já foi derrubada há tempos, né? Entretanto, as mães ainda enfrentam todo o tipo de culpabilização. Não mais (eu espero!) pela síndrome da mãe geladeira, mas por pensarem que, porventura, tiveram algum descuido durante a gestação, ou por acreditarem que, em dado momento, falharam com os filhos.

Já realizei entrevistas com diversas mães e a desconfiança do discurso delas em relação aos filhos por parte dos profissionais da saúde é um clássico: levanta a mão qual das mães que estão me lendo já não ouviram do(s) médico(s) que elas estavam se preocupando à toa porque o filho não fala ou apresenta algum outro atraso? Ou o contrário, quando o filho é muito inteligente e não brinca igual às outras crianças? “Mãezinha, você está se preocupando demais…”, “está vendo coisas que não existem”. A culpabilização também aparece em discursos como “vocês, como pais, tem que dar limites! Ele só faz isso porque é rebelde”.

Mas, não paramos por aí. A resistência não aparece somente do lado profissional, mas também dos pais e familiares. Os casos mais emblemáticos que já tive contato são de pais médicos, neurologistas e psiquiatras (ou seja, os que lidam diretamente com transtornos como o autismo), que não conseguiram reconhecer traços de autismo no próprio filho. Um deles só reconheceu através de uma entrevista na televisão quando médico especializado citava os diversos tipos de manifestação de autismo.

Quem escuta estas histórias fica abismado com as dificuldades que enfrentamos, principalmente no período diagnóstico. Aliás, em muitos casos, o diagnóstico de autismo só é dado depois da criança ter recebido vários outros rótulos como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Linguagem e até Bipolaridade.

Com certeza, vocês também tem histórias, no mínimo curiosas, sobre autismo, pois, infelizmente, é um problema que vários já enfrentaram. Porém, acredito que estamos melhorando bastante nisto, devido à maior difusão de conhecimento em torno do assunto. Que as próximas famílias não passem pelo desconhecimento que nós tivemos que enfrentar. Que todos estejam melhor preparados para diagnosticar e tratar de autismo.

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