Os “Mateus” que já conheci

O Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que apresenta vários níveis, divididos em três categorias: leve, moderado e severo, e estas são definidas segundo a necessidade de apoio que a criança apresenta. Em maior ou menor grau, os autistas apresentam dificuldades na parte da comunicação social (que passa pela interação e pela linguagem) e apego a interesses restritos e comportamentos repetitivos. Porém, tudo fica ainda mais complexo quando se considera não somente o autismo, mas também a personalidade de cada autista. Por isso, para alguns, é difícil identificar traços autísticos em determinadas pessoas. É muito comum conversarmos com as famílias (e até com profissionais médicos) sobre o processo diagnóstico e ouvirmos frases como: “Ah, eu não desconfiava de nada… Achava que era o jeito dele” ou “É personalidade, ele é mais quieto mesmo!”.

A diversidade na manifestação dos sinais de alerta pode ser algo que confunde. Alguns autistas podem ter déficits cognitivos, outros apresentam Q.I. acima da média. Alguns são muito quietos, outros extremamente falantes. Tem pessoas com autismo que apresentam seletividade alimentar, resistência ao toque, distúrbios de sono, dificuldades motoras, etc. Outros enfrentam outros tipos de desafios.

Nessa caminhada em prol dos direitos das pessoas com autismo no Brasil, já conheci muitos “Mateus” por aí. Já conheci um “Mateus” que não sai de casa sem seu brinquedo de abóbora. Outro que, toda vez que vê um amigo, pula de alegria. Já vi um “Mateus” que amava beijar e abraçar a todos que visse pela frente (conhecidos ou desconhecidos) e outro que era uma luta para conseguir um beijo! O meu Mateus ama fotos, mas já conheci vários outros que não suportam os flashs. Já vi um “Mateus” com medo de cachorro e outros que não podem viver sem o seu bichinho de estimação. Já vi um “Mateus” que só come tal coisa, em tal hora e em tal lugar. Já o meu… Só não come prato vazio (haha!).

Toda essa diversidade nos faz enxergar o outro como ele é – e não através dos esteriótipos que nós mesmos construímos. Multiplicidade de personalidades, gostos e interesses que não são determinados por um diagnóstico, mas pela individualidade de cada um.

Que eles continuem nos ensinando a perceber que a graça da vida é exatamente tudo que nos faz únicos. Que aprendamos a viver mais fora do padrão, aceitando a nós mesmos como somos, dotados de qualidades, defeitos e toda humanidade que é intrínseca à nossa natureza.

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Ainda sobre essa questão de viver “fora do padrão”, amanhã teremos nosso terceiro do Grupo de Irmãos do IAV e falaremos exatamente sobre isso! Se você é irmã(o) azul e mora aqui em Porto Alegre e Região Metropolitana, está mais do que convidada(o)! ♥

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