Um comentário sobre a “Antropóloga em Marte”

Acabei de terminar de ler o último capítulo do célebre livro Um Antropólogo em Marte, do neurologista Oliver Sacks. O autor reservou para o final a história que dá nome ao livro. Uma “antropóloga em Marte” é como se sente Temple Grandin — segundo suas próprias definições.

Temple Grandin é uma especialista em reino animal. Após a graduação em psicologia, ela continuou seus estudos até receber o título de Ph.D em Zootecnia. Professora de Ciência Animal na Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, tem diversos livros e artigos publicados sobre o manejo de bovinos, métodos de abate humanitário e bem-estar animal. Mas Dra. Grandin não é famosa somente por sua profissão e pelo reconhecimento acadêmico. Ela é conhecida internacionalmente também por ter Síndrome de Asperger (autismo leve ou de alto funcionamento) e por defender categoricamente que o modo de funcionamento do cérebro das pessoas que têm autismo é diferente dos demais — e que estes podem, sim, fazer grande diferença na forma como enxergamos o mundo, a ciência e as pessoas. Segundo ela, são mentes que merecem respeito, estímulo e atenção e que podem contribuir enormemente para uma sociedade mais humana. (Veja mais nessa palestra dela no TED).

No capítulo, o autor mostra toda a humanidade de Temple, toda sua franqueza, sinceridade, brilhantismos e dificuldades impostas pelo autismo. Ela é consciente. Ela sofre por ter dificuldades nas relações sociais, por não conseguir ter sentimentos profundos em relação à música ou à natureza. Porém, ela também sabe que se não fossem essas dificuldades, ela não teria a sensibilidade necessária para trabalhar com os animais, nem teria voz suficiente para defender as pessoas com autismo, tanto as de grau leve como os que têm os graus mais severos.

Lendo me emocionei. Chorei mesmo. Vi tanto do Mateus nela. Ela, mesmo com toda sua capacidade intelectual, tem a pureza inata a todos os autistas. E quando perguntada se deixaria de ser autista se tivesse esta opção, ela responde: “Se pudesse estalar os dedos e deixar de ser autista, não o faria — porque não seria mais eu. O autismo é parte do que eu sou.”

Vale a pena a leitura! E, claro, conhecer mais dessa pessoa incrível que é Temple Grandin.

 

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