Autismo e Sensibilidade

Tenho pensado muito sobre o tema “Autismo e Sensibilidade”. Mas não estou querendo falar sobre a sensibilidade sensorial, um dos traços mais marcantes (e famosos) do TEA. Não estou falando de texturas, cores, sons… Quero falar de algo mais profundo. A sensibilidade quase espiritual que muitos autistas (ou todos?) manifestam.

Muito se fala sobre a possível falta de empatia das pessoas que têm autismo, da dificuldade delas em se colocarem no lugar do outro. Porém existem algumas teorias que defendem exatamente o oposto: não é falta de empatia, mas uma hipersensibilidade a tudo e a todos que os cercam. A sensibilidade é tanta que eles têm dificuldade em lidar e processar todos os estímulos, o que os faz terem uma tendência ao isolamento e a adotarem comportamentos autorreguladores. Interessante como o mesmo aspecto pode ter explicações tão diversas, né? Ainda temos muito o que aprender.

Eu não sei qual meu posicionamento em relação às duas teorias. Pensando no que vejo do Mateus, tenho minha dúvidas. Às vezes ele parece não se importar com o que o cerca. Não importa se eu estou jantando ou dormindo, sempre preciso ajudá-lo no instante em que ele me chama. Mateus tem dificuldade em esperar e em ouvir “agora não”. Mas também, tem um outro lado nessa história.

Meu Mateus já me deixou de queixo caído, mostrando uma sensibilidade completamente inesperada em algumas situações. Eu conto: uma vez a escola teve um incidente que impossibilitou o atendimento. Era dia de semana, rotina, e ele já estava pronto para ir. Mas ouviu que, eu e minha mãe conversávamos com tristeza sobre o que tinha acontecido, e, na minha opinião, ele sentiu algo em algum nível… Que eu não sei explicar. Só sei que falamos para ele que não tinha escola e ele simplesmente aceitou. Guardou o uniforme, trocou de roupa e não deu nenhum grito, nem teve crise (que era o que nós já estávamos esperando). Isso nos surpreendeu muito, pois o normal seria ele não entender o que estava acontecendo. Mas compreendeu (e acho que até mais do que nós!).

Não foi a primeira vez que Mateus demonstrou que pode sim ser muito sensível ao que o cerca. E tudo isso me fez refletir bastante sobre essa questão…Talvez não seja à toa que os chamamos de “anjos”.

Esse assunto levanta muitas questões. E, vocês, o que acham sobre isso? 

6 comentários em “Autismo e Sensibilidade

  1. Nossa Fernanda sinto exatamente isso que descreveu do meu filho, que por coincidência tem o mesmo nome e idade do seu irmão. Normalmente se mostra tão alheio e impaciente, mas também tivemos vários episódios em que nos surpreendeu demonstrando ter entendido perfeitamente o que estava acontecendo. São realmente seres especiais!

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  2. Eu sinto o meu filho muito sensível, e diria que até compreende mais do que supomos…tivemos perdas na família e todas de pessoas de convívio muito próximo. Então foi inevitável, tivemos que contar a ele que essas pessoas não estariam mais conosco, e ele entendeu de uma forma que nos surpreendeu muito. Nunca mais os mencionou ou pediu para vê-los.

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